O mercado brasileiro de arroz começa a apresentar sinais de transição após um longo período marcado por excesso de oferta, forte pressão de comercialização e rentabilidade reduzida ao produtor. Embora a recuperação dos preços ainda ocorra de forma moderada, o cenário para o segundo semestre mostra fundamentos mais favoráveis, impulsionados por mudanças na oferta internacional e por incertezas climáticas que podem influenciar a próxima safra.
A avaliação é do analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, que destaca uma mudança gradual na dinâmica do setor. Segundo ele, a predominância de fatores baixistas começa a perder força, abrindo espaço para um mercado mais equilibrado ao longo dos próximos meses.
“Os fundamentos estão se tornando mais construtivos. Ainda não há sinais de uma forte valorização, mas o mercado começa a entrar em um novo ciclo”, observa o especialista.
Redução da oferta nos Estados Unidos favorece competitividade brasileira
Entre os principais fatores de sustentação das cotações está a redução da área destinada ao cultivo de arroz longo fino nos Estados Unidos, variedade que concorre diretamente com o produto brasileiro no mercado internacional.
Dados recentes divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontam uma retração de aproximadamente 34% na área plantada da cultura, diminuindo o potencial de produção e a disponibilidade para exportação.
Segundo Oliveira, esse movimento tende a elevar os preços do arroz norte-americano e ampliar a competitividade do cereal brasileiro nos mercados internacionais.
Menor oferta asiática fortalece mercado internacional
Além dos Estados Unidos, outro fator relevante é a preocupação com a produção em importantes países da Ásia, responsáveis por grande parte da oferta mundial de arroz.
Problemas climáticos associados à influência do fenômeno El Niño aumentam as incertezas sobre a próxima safra na região, reduzindo a expectativa de excedentes exportáveis.
Com menor disponibilidade internacional, grandes importadores podem buscar novos fornecedores, cenário que beneficia países exportadores como o Brasil e contribui para uma valorização gradual das cotações globais.
Apesar desse movimento, o analista ressalta que os elevados estoques mundiais ainda funcionam como um limitador para altas mais expressivas.
Clima preocupa produtores brasileiros
No Brasil, as atenções também se voltam para as condições climáticas que deverão marcar o início do próximo ciclo produtivo.
A consolidação do El Niño aumenta o risco de chuvas acima da média durante agosto e setembro, período em que ocorre boa parte da semeadura no Rio Grande do Sul, principal estado produtor de arroz do país.
Caso esse cenário se confirme, poderão ocorrer atrasos no plantio, redução da área cultivada, migração para áreas menos suscetíveis ao excesso de umidade e impactos sobre o potencial produtivo da safra 2026/27.
Estoques do Mercosul seguem como principal desafio
Mesmo com perspectivas mais positivas para o mercado internacional, o elevado volume de estoques acumulados no Mercosul continua sendo o principal obstáculo para uma recuperação mais consistente dos preços.
Segundo a Safras & Mercado, será necessário ampliar o ritmo das exportações ao longo da temporada 2026/27 para reduzir a oferta disponível.
A estimativa é de que aproximadamente 2 milhões de toneladas, em equivalente casca, ainda precisem ser embarcadas para que haja uma redução mais significativa dos estoques regionais.
Caso esse volume não seja comercializado, parte relevante do excedente deverá permanecer disponível ao longo de 2027, limitando movimentos mais fortes de valorização.
Mercado caminha para reequilíbrio gradual
Na avaliação de Evandro Oliveira, mesmo uma eventual quebra de safra não seria suficiente para provocar uma forte escalada nos preços enquanto houver elevados volumes armazenados.
Segundo o analista, os estoques funcionam como um amortecedor da oferta, reduzindo o impacto de possíveis perdas de produção.
Para ele, o mercado brasileiro de arroz vive um momento de reconstrução gradual dos fundamentos, no qual a velocidade de consumo dos estoques internos e o desempenho das exportações serão determinantes para definir a intensidade da recuperação das cotações nos próximos meses.
A expectativa do setor é de que o segundo semestre seja marcado por maior equilíbrio entre oferta e demanda, consolidando um ambiente mais favorável para os produtores, ainda que sem movimentos bruscos de valorização no curto prazo.
Fonte: Portal do Agronegócio
Fonte: Portal do Agronegócio





















