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A um mês do novo ‘tarifaço’, agro alerta para prejuízo de R$ 13,5 bilhões e cobra reação

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Faltam 30 dias para o ultimato dos Estados Unidos sobre a nova rodada de tarifas que ameaça o agronegócio brasileiro. A investigação, conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) sob a Seção 301, pode elevar em até 25% o custo de entrada de produtos brasileiros no mercado americano. Para o produtor rural, o prejuízo não é apenas uma projeção: o cálculo da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) aponta que a manutenção de sobretaxas sobre itens já afetados pode subtrair cerca de R$ 13,5 bilhões (US$ 2,7 bilhões) da balança comercial deste ano. Esse montante corresponde a 22% do volume total que o setor agropecuário enviou aos Estados Unidos no último ano, demonstrando a gravidade da dependência comercial.

A retração já é visível. O comércio bilateral entre Brasil e EUA recuou 14,3% no acumulado deste ano, refletindo a cautela de exportadores que, diante da instabilidade jurídica, suspenderam contratos ou redirecionaram embarques para evitar perdas com o bloqueio tarifário. O impacto é desigual. A piscicultura, por exemplo, opera em situação limite. Com 97% das exportações nacionais de filé fresco de tilápia destinadas ao mercado americano, o setor não possui alternativas imediatas de mercado. Para o piscicultor, a aplicação da tarifa de 25% — que, somada a outros impostos, pode chegar a 37,5% — inviabiliza a competitividade do produto brasileiro, entregando o espaço conquistado para concorrentes asiáticos.

No setor sucroenergético, a ameaça de restrição à cota preferencial de açúcar e etanol força as usinas a um redirecionamento forçado de produção. Quando o produto deixa de ser exportado com margem, ele inunda o mercado interno. Esse excedente de oferta pressiona os preços do açúcar e do etanol nas usinas e, consequentemente, reduz o valor pago ao produtor de cana pela matéria-prima. É um efeito cascata que compromete o fluxo de caixa de uma cadeia que vinha operando com equilíbrio entre exportação e demanda interna até o início deste semestre.

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REAÇÃO – A reação oficial, contudo, é motivo de críticas severas no setor privado. Enquanto o governo mantém a postura de “diálogo técnico”, o mercado agroindustrial aponta que a falta de uma defesa coordenada permitiu que agendas políticas paralelas — distantes dos interesses do campo — interferissem na negociação.

O argumento de Brasília de que a tarifa média aplicada pelo Brasil aos EUA é de apenas 2,7% é tecnicamente sólido, mas não tem sido suficiente para barrar a imposição americana. Sem uma manobra diplomática eficaz que garanta a exclusão de produtos sensíveis, como a tilápia e o café, o custo dessa ineficiência será repassado diretamente aos produtores e pode elevar para R$ 38 bilhões o impacto negativo sobre a economia nacional e o consumo das famílias até o fim de 2026.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), engenheiro agrônomo Isan Rezende, (foto), essa inércia do governo é um risco para o agronegócio. “Se o governo não agir nas próximas semanas, vamos ter um cenário de estoques parados e prejuízo acumulado logo no início da próxima safra. Não há espaço para erro ou para discursos mornos. O agro é o pilar que segura o saldo positivo da nossa economia; se não houver uma resposta rápida e efetiva para retirar nossos produtos dessa lista de retaliação, o impacto negativo será sentido no bolso de cada produtor, do Norte ao Sul do país (e por consequência, no bolso no consumidor), e a conta será muito mais cara do que qualquer custo de uma negociação bem feita”.

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“O que a gente vê hoje é um descompasso perigoso. Enquanto o produtor precisa de uma defesa técnica, fria e baseada em dados reais de mercado, o que chega lá fora são sinais trocados. O governo precisa blindar a negociação comercial de qualquer ruído político. Essa guerra não é de discurso, é de argumentação técnica sobre reciprocidade. Se o Itamaraty continuar permitindo que agendas paralelas de parlamentares interfiram no diálogo oficial, estamos dando de bandeja o pretexto que Washington precisa para nos taxar sem resistência”, recomenda Rezende.

“Para quem está na ponta, a diferença entre uma negociação bem-sucedida e a inércia atual não é estatística, é sobrevivência. O produtor não exporta ‘política comercial’, ele exporta o resultado de meses de lavoura e investimento. Se não houver uma resposta à altura da gravidade do problema, vamos ver contratos sendo cancelados, crédito mais caro e estruturas de exportação parando. O produtor não pode pagar a conta da desarticulação governamental; é hora de menos diplomacia de palco e mais resultado concreto para garantir o escoamento da nossa safra”, completou o presidente do IA

Fonte: Pensar Agro

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